sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Breu

Eu estava tão bem no meu quartinho escuro, isolada desse mundo extraordinário de mais pra meus olhos e sensibilidade. Lá eu estava neutra, como um neutron: dentro do núcleo, escondida bem no meio de mim, na menor partícula de mim. Então eu tive a estúpida ideia de ver a luz do sol e acabei ficando cega e perdida de novo. Mas no instante que vi a luz, vi alguém que poderia me tirar de lá, acender a luz do quartinho, me ajudar a organizá-lo e limpá-lo. Eu queria gritar, mas a voz não saía; eu queria correr, fugir deixar pra trás o mundo individualista e egoísta do meu quartinho, mas minhas pernas ficaram estáticas; eu precisava estender as mãos para que me vissem, vissem que eu estava viva no meio daquele breu. Nada respondia, ninguém perguntava também. Parecia que estava num precipício agarrada aos arbustos, escorregando para o fim. Mas alguém me salvou sem dizer nada. Simplesmente me tirou de lá, me estendeu as mãos me puxando para fora do breu, acendeu a luz daquele cantinho esquecido e com seu toque fez minha voz cantar de alegria incalculável... era Jesus.

Menina do seu lado no ônibus

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